Lost sempre conseguiu criar uma enorme expectativa para seus inícios de temporada, mas nada se comparava a espera por esse. Não bastasse o fato de “The Incident” ter terminado com um cliffhanger desesperador, a ideia de que a temporada que estava vindo seria a última da série tornava tudo ainda mais grandioso. E agora, 8 meses depois de vermos o titulo da série surgir em preto num fundo branco e não termos a miníma noção do que viria a seguir, a história continua, tudo muda mais uma vez e Lost ruma para um final que jamais iremos esquecer.
ATENÇÃO: O texto a seguir tem spoilers importantes dos dois primeiros episódios da 6ªtemporada de Lost.
Quando o episódio começou, eu respirei fundo e pensei que estava sacando tudo que tinha acontecido. Afinal, minha única teoria para essa 6ªtemporada era a de que ela começaria com Jack e todos os outros dentro do avião, rumando para Los Angeles normalmente. E tudo estava muito bem até um personagem surgir e eu desistir na hora de tentar adivinhar o que aconteceria em seguida. Desmond está no voo 815!
Por que ele está lá? E se não reconheceu Jack, então ele nunca foi trabalhar na ilha, já que ele estava correndo pela arquibancada com Jack para se preparar para a viagem ou talvez… só Jack tenha visto ele. Porque não vimos o brotha saindo do avião e ele simplesmente sumiu depois de duas cenas. Só isso já bastava, mas para fechar essa cena inicial do jeito que só Lindelof e Cuse sabem fazer, descobrimos que o avião acabou de passar pela ilha, que não passa de ruínas, tomadas pelo Oceano Pacífico. E pensar que isso foram só 5 minutos de episódio…
A partir daí, tudo foi completamente imprevisível. Afinal, a cena seguinte mostrou Juliet explodindo a bomba e Kate acordando na ilha, encontrando Miles e descobrindo que aparentemente, nada aconteceu. A bomba explodiu, mas eles apenas voltaram para o presente, a escotilha foi construída e nada foi impedido. Entra aí um conceito da física quântica chamado Gato de Schrödinger, do qual não vou dar maiores explicações aqui – até porque nem compreendo o conceito completamente – mas em resumo, trata da ideia de termos que lidar com duas possibilidades, sem saber exatamente qual é a correta.
E é exatamente isso que deve acontecer na 6ªtemporada de Lost. Os roteiristas me impressionaram completamente, ao reinventar a série mais uma vez, de um jeito que ninguém – e tenho quase certeza que ninguém MESMO – imaginava. Alguns apostavam que o plano de Jack ia dar certo e eles ficariam sãos e salvos, rumo a Los Angeles no avião. Outros davam como certo que o plano falharia e eles continuariam na ilha. Mas ninguém realmente pensou que as duas possibilidades poderiam coexistir.
Por causa disso, é no mínimo interessante ver os personagens de volta ao voo 815 e na ilha ao mesmo tempo. Nem tanto pela evolução dos mesmos, mas até pelas atuações. Afinal, Josh Holloway por exemplo, passava longe de ter uma atuação excepcional no começo da série, mas foi crescendo de modo assustador e terminou sendo uma das melhores coisas da temporada passada. Deve ter achado divertidissimo reviver o Sawyer canalha da 1ªtemporada e ao mesmo tempo interpretar o amargurado ex-golpista que acabou de perder sua amada.
Alias, conseguiram dar uma despedida tão boa quanto a da temporada passada pra Juliet. Afinal, eu pensei que ela tinha morrido ali, então foi uma despedida de certo modo. Sua morte – agora de verdade – foi emocionante e me deixou triste, mas é só mais uma prova de que ninguém está a salvo em Lost. Agora, a cara de ódio que Sawyer faz pra Jack quando sai com Juliet nos braços é de fazer até a gente se encolher do outro lado da tela.
Mas e nosso querido Jacob, assassinado por Ben a mando de Locke (ou whatever the hell he is) no season finale da temporada passada? Bem, ele está morto mesmo, tanto que até apareceu para Hurley, dando instruções para salvar Sayid. Mas o que me deu muito medo foi mesmo o “Evil Locke”. Me acostumei com o jeito sereno e sincero de Locke, então é amedrontador ver Terry O’Quinn fazendo um personagem agressivo e ainda tendo a oportunidade de chamar o personagem que interpretou por anos de patético e confuso. Adorei o jeito de Ben nesse episódio, é raro ver ele desse jeito, mas o ex-líder dos Outros está completamente aterrorizado, pois pela primeira vez, estão acontecendo coisas na ilha das quais ele não compreende.
Como por exemplo, o fato do “Evil Locke” ser… o MONSTRO! Revelação bombástica e a confirmação de que o monstro de fumaça é na verdade o grande inimigo de Jacob e veja só, o grande vilão da série. E depois de algumas conversas com amigos, começo a acreditar na suspeita de que o Sayid ressuscitado é Jacob. Afinal, virou festa possuir corpos nessa ilha, então o todo-poderoso do lugar pode fazer isso também. Tudo bem que a ideia de “Sayid vs. Locke” no final é bizarra né.
Além dessa teoria, também vi outra ainda melhor: no momento em que o iraquiano morreu na realidade da ilha, ele desmaiou na realidade paralela e acordou no seu corpo até então morto no templo. Engenhoso, não? Ah sim, não tomo crédito por nenhuma dessas teorias, porque apesar de amar a série, sou péssimo pra bolar teorias.
E voltando ao Evil Locke, possessão e afins, achei maravilhosa a cena em que o Evil Locke diz o que o verdadeiro John Locke pensou antes de morrer. Não só pelo jeito debochado com que ele fala – o que, como já disse, é de dar medo – mas por ser, como ele mesmo falou, uma das coisas mais tristes que eu já ouvi. Porque, antes de morrer, Locke pensou:
Eu não entendo…
Só pra fechar essa parte, Richard e o Evil Locke já se conheciam. E da última vez que se viram, o “conselheiro” dos Outros estava acorrentado… creepy (Richard seria um escravo ou prisioneiro que veio do Black Rock?). Mas ainda mais creepy foi Richard sendo nocauteado e o inimigo de Jacob dizendo que estava muito desapontado com todos os Outros. Sério, estou adorando essa sensação de nó na cabeça com tudo o que está acontecendo. E pela primeira vez, isso acontece tanto conosco quanto com os outros personagens na série.
Agora, vamos aos acontecimentos das duas realidades que Jack e cia. estão vivendo. Em Los Angeles, tudo acontece conforme planejado: o avião pousa, belo e formoso no aeroporto e todos vão para seus destinos. A cena em que isso acontece, com cada personagem importante saindo do avião, sabendo que a partir daí terão que enfrentar todos os problemas pelos quais estavam naquela viagem é belíssima, principalmente pela trilha sonora, mais um trabalho brilhante de Michael Giacchino.
Mas o que foi interessante em toda essa parte do avião e L.A. é que não foi apenas o fato do voo 815 nunca ter caído na ilha que mudou. Hurley se considera o cara mais sortudo do mundo, Boone voltou para Los Angeles sem Shannon e a não ser que Locke tenha mentido, ele realizou sua tão sonhada “walkabout”. Claro que o careca continua paraplégico, Kate continua prisioneira e Charlie um drogado, porque as mudanças não foram tão drásticas assim.
Alias, acho que já é a 10ªvez que Charlie chega perto da morte nessa série. E mais uma vez, foi Jack que salvou ele, mas assim como aconteceu na ilha, na 1ªtemporada, o rock-star não ficou tão feliz (na ilha, Claire tinha sido raptada, no avião, ele foi preso). E por falar na loirinha, foi breve, muito breve, mas bem bacana a aparição dela hein? Isso ainda vai render…
Só espero que a realidade de L.A. esteja além de Jack cuidando de Locke – que alias, achei fantástico – e procurando pelo corpo do pai, Sun fingindo que não fala inglês e ferrando o marido por isso e… (ai, de novo não…) Kate fugindo. Aproveitando que estou comentando sobre isso, vale lembrar da conversa entre Jack e Locke no aeroporto. É provavelmente uma das mais brilhantes da série, puro clima de 1ªtemporada, onde os dois realmente conversavam e os roteiristas reservavam dialogos excelentes pra eles. Quando Locke diz:
Eles não perderam seu pai… perderam o corpo dele.
Eu abri um largo sorriso, junto com o careca. Adoro quando focam nos dramas mais… “humanos” em Lost. Sempre rende momentos memoráveis.
Na realidade da ilha, no entanto, aconteceu todo tipo de bizarrice. Primeiro, tivemos mais uma grande resposta: o templo, que vem sendo citado desde o final da 3ªtemporada, finalmente apareceu em toda a sua glória e me impressionou ver que ele era absurdamente grande e ninguém nunca viu – Ok, tinham muros enormes em volta dele, mas sério, essa gente andou a ilha inteira por três meses e nunca viram isso? Mas fiquei muito dividido em relação a essa história.
Adoro a mitologia da série, acho fantástico todo esse negócio de povos antigos, mas algo me incomoda profundamente nessa coisa de “lago da cura”, ritual de ressuscitação, aquele negócio dentro da guitar case do Hurley e o Pai Mei mais novo com sua repulsa por inglês. Na minha cabeça, duas partes da minha consciência brigavam ferozmente, uma pensava “Caramba, quantas ideias fantásticas” e a outra “Deus do céu… que negócio besta”. Agora é esperar os próximos episódios e ver qual das duas partes vai ganhar.
O episódio termina com Sayid, que ficou morto na realidade da ilha o episódio inteiro, acordando do nada, assustado e perguntando o que aconteceu. As teorias que achei mais plausíveis pra isso já foram comentadas um pouco antes no texto. E acho que a última se encaixa perfeitamente.
Enfim, Lost finalmente voltou. Com um início de temporada que foi um verdadeiro evento com cara de season finale, já começa a preparar para o que vai ser a 6ªtemporada. Porque com isso, deu pra perceber uma coisa: a temporada inteira deverá ser nesse ritmo, alucinante, com várias respostas aparecendo e várias perguntas vindo logo atrás, tudo até chegar ao último capítulo, que deverá resolver o que está pendente sem deixar margem pra muitas dúvidas. Dado o andamento desse 1ºepisódio, estamos diante de um enorme season finale que durará 16 semanas… Não vejo a hora de continuar a vê-lo.
Nota: 10
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Imagens: LostTalk.net
Um ótimo retorno de Lost. Recheado de mistérios e humanidade. A fórmula funciona e não precisa mudar, né?
O que muda é o jeito de contar. E tem gente que ainda diz que a série não é inventiva.
Bom, vendo as duas partes acho que só no episódio que vem que dará para entender a bagunça inteira que fizeram com esses universos paralelos, e se é que estão paralelos assim.
Marcelo, que excelente texto rapaz. Sua review foi minha inspiração para escrever a minha. Eu terminei o episódio e não fazia a mínima idéia de como começar o texto, achei o episódio DEMAIS, mas sobrecarregou minha mente de informações! hahahaha. Parabéns mesmo cara!
ps: Eu sou o dono do ex Séries é Aqui. éramos parceiros lá no blog, mas estou com um novo projeto: O NaMinhaLente.wordpress.com
Topa uma nova parceria?
Eu encerrei o blog anterior, se quiser remover o link.
Abraçoos!
Aguardo resposta!
@lucas_santtos
http://www.naminhatela.wordpress.com
A cada vez que vejo, menos gosto da premiere. MEDO!
Parei de rever para evitar de achar uma bosta! haha
[...] O tanque de Betesda O review de “LA X” no blog [...]
[...] Review – Lost – 6×01/02: LA X [Season Premiere] no Comentando Séries [...]
ALucinante… realmente DE TIRAR O FÔLEGO!
Mas já vou ficando meio triste só em saber que a série vai acabar… =O
When using pictures like that from other sites, at least have the decency to link to them in your article. LOSTTalk.net